Capoeira
Gente eu não tenho conhecimento nessa área, como diz o outro: "Essa não é a minha praia, mas estou repassando alguns textos que recebi.
Mestre Chiquinho Correa
A Capoeira é cultura, é a união das caracteristicas humanas: atitudes,costumes, modo de agir, instituições e valores espirituais e matériais de um grupo social, de um povo que se cria e se preserva, através da comunicação e da cooperação entre individuos.
As raízes principais da capoeira são:
1 - Dos africanos, herdamos movimentos, rituais, fundamentos e a
religiosidade ( dos Deuses Iorubá vem o ritmo Ijexá e o refrão tonal a cadatres batidas; e do povo bantu provem o berimbau.).
2 - Dos portugueses herdamos o improviso da dança popular chula, o pandeiro e a viola.
3 - Dos nativos brasileiros, temos a nomeclatura dos movimentos, os titulos dos cantos, os rituais e métodos de ensinamento.
La capoeira é la ricerca dell´universo, dello sviluppo fisico, mentale e
spirituale.
A capoeira é o desenvolvimento fisico, mental e espiritual.
A capoeira muda o modo de viver, harmonizando e equilibrado o ser, ligando o homem com o céu e a terra, através da fantasia, da música, do jogo da criatividade e da socialização.
Nessa forma de cooperação, não existe vencedores, nem perdedores.
É uma forma mutua de respeito.
Respeito e a sensibilidade que cada aluno deve ter pelo seu mestre, pelo ritual da roda , pelos instrumentos, pelos cantos e pela espiritualidade da capoeira.
O respeito é um valor que não se pode ver nem tocar, mas que se sente e que sabemos que é necessário.
O Mestre deve comunicar-se para transformar o aluno em um discipulo.
O aluno deve ser sincero para que suas técnicas sejam verdadeiras.
Através do conhecimento o aluno com o tempo será um discipulo e depois um mestre.
O verdadeiro capoeirista é aquele que pergunta ao mestre os fundamentos da arte e que caminha com o mestre até o fim.
Assim, juntos, eles alcançam o equilibrio fisico, mental e emocional:
Da união destes valores os movimentos ganham vida, e a técnica a magia, e tudo isso se transforma em energia pura e criativa que sustenta outros valores.
Principalmente o valor do amor, que transforma o veneno, em agua cristalina.
Por isso se faz necessário, manter o uso da sabedoria tradicional, para fazer com que a nossa prática atual seja iluminada.
1 - O aluno que " pratica " só por curiosidade essa disciplina
interessando -se somente pela atividade fisica não permanecerá por muito tempo na academia.
2 - O discipulo tem respeito pelo seu mestre e deve saber que a sua tarefa será prosseguir os seus ensinamentos, por isso ele aprende evolui e espera com serenidade o seu tempo o seu momento.
E quem decide quando um discipulo será um mestre?
As cordas, cordeis, cinturas, conquistadas nos anos tem o significado simbolico do tempo e da continuidade do caminho percorrido e não do tempo para ser um mestre, isso vem estabelecido da humildade, da sabedoria e da sensibilidade conquistada.
3 - O " Esperto " através da ambição, inveja, odio, ciumes, não respeira o seu momento, depois de pouco tempo se convence de ter aprendido tudo e esse convencimento lhe faz esquecer o respeito que tinha pelo seu mestre, que com paixão e dedicação mestreza tramanda os ensinamentos a sua cultura tradicional.
Não tem dignidade, honestidade, humildade, mas uma determinação egoista.
Não tendo profissionalidade, organiza cursos a um preço inferior as outras escolas, procura criar discordia falando de um modo não verdadeiro do seu mestre para impor suas falsas convicções.
O Individuo não é um mestre graças a ele mesmo:
O imediatista nao é aluno, nem discipulo. O que que ele é?
O imediatista não è um aluno, nem um discipulo, O que ele è? E simplesmente um rapaz, geralmente individualista, e ligado materialmente as coisas.
Pode acontece que por férias ou para preparar uma tese universitária, vai a Salvador, ao Rio, a São Paulo, ou a qualquer, outra, cidade do Brasil, a curiosidade em certos casos e a falta de honestidade faz com que ele venha errar e a encontrar um falso mestre, a quem mostra a sua capacidade, sem mais mencionar o nome do seu mestre que com paixão seguiu seus passos na sua
estrada do aprendimento. Por sua vez o falso mestre por pouco dinheiro alimenta essa convicção do " Esperto " elogiando - o por sua capacidade fisica e aconselhando o direito de desenvolver o seu grupo com o titulo de professor sem nenhum reconhecimento, com o único vinculo de depositar ao falso mestre um percetual anual da suas entradas.
Em virtude do que apenas foi escrito, as escolas de capoeira se
proliferaram em pouco tempo, mas somente algumas transmitem realmente a verdadeira cultura
Infelizmente, nem todas as academias tem como objetivo a cultura, algumas se interessam somente pela atividade fisica e pensam somente na luta e não no jogo, no egoismo e no excessivo desenvolvimento muscular, outras que se interessam apenas pelo discurso tradicionalista, tem como finalidade o aspecto material da capoeira.
Não temos como controlar, nem mesmo através das federações mundiais. No entanto,vamos procurar dar maior espaço àqueles que realmente são ligados as raizes e desejam criar um único mundo, ao menos, no que se refere a "Capoeira ".
A Capoeira, è uma arte nobre, e è a raiz de um povo, que sofreu e que sofre, e por esse motivo que deve ser respeitada.
A Capoeira tem como sinal o simbolo da união entre todos os mestres que estao divulgando essa cultura em todo o mundo de maniera pura e sincera,mantendo os seus principios e sem segundos fins.
A Capoeira, do presente somos nos e nossos alunos: Devemos trabalhar unidos para o seu futuro.
Mestre Chiquinho Correa
O jogo da Capoeira
Os elementos do jogo da capoeira
O ritual
É na roda de capoeira que o praticante mostra seu conhecimento e desenvolvimento sobre a atividade. A roda é um ritual que representa a vida e os seus ciclos. Como o planeta gira e a vida acontece em ciclos, a roda é a representação disso, num indício forte da cultura africana, cheia de círculos e elos em suas representações gráficas. A roda começa com a afinação dos berimbaus e a formação da bateria composta por três berimbaus, um atabaque, dois pandeiros, um reco-reco e um agogô. Esta é a formação completa, porém cada grupo tem seu jeito próprio de levar a roda e pode haver diferenças, dependendo também do número de participantes na roda. O que não pode faltar é o berimbau e o pandeiro. Os jogadores devem usar o uniforme/abadá do grupo. Formada a bateria, o cantador (que geralmente toca o gunga) dá o iê, canta a ladainha, seguida de louvação e aí começa a cantar o corrido. Neste momento é que os jogadores agachados ao pé do berimbau começam a jogar.
Música
Além da movimentação, a música é um elemento importante da capoeira. Mostrando mais uma vez o aspecto ancestral e primitivo desta manifestação. O seu principal instrumento, que dá o som característico, o berimbau, é construído por um pedaço de arame, um pedaço de pau e uma cabaça. A sonoridade do instrumento vai depender de como o arame é amarrado e a combinação entre a cabaça e o pedaço de pau (Biriba). Os berimbaus apresentam sons diferentes, sendo classificados em: gunga (som mais grave, também conhecido como berra-boi), médio e viola (som mais agudo). Os toques básicos são sete: Angola, São Bento Grande, São Bento Pequeno, Iúna, Santa Maria, Cavalaria e Jogo de Dentro. Mas existem outros toques, menos tocados, e muitas variações. Durante uma roda é importante que um berimbau converse com o outro. O gunga/berra- boi é quem dita o ritmo da roda e é sempre tocado pelo mestre ou a pessoa mais antiga na capoeira.
Quem toca o gunga também puxa o canto, mas na hora dos corridos, qualquer pessoa que está na bateria pode puxar o canto, desde que autorizado pelo mestre ou professor que leva a roda, e o restante deve responder o coro. Os corridos são curtos e em muitas vezes lembram lamentos. Devido a repetição o canto pode lembrar um mantra.
Jogo
A capoeira em si não é um confronto e nem tem vencedores ou vencidos. O jogo, entendido por alguns como dança ou arte-luta é um diálogo entre dois indivíduos e a partir daí se vê o jogo, como um jogo da vida onde as pessoas trocam o seu axé (fluido vital). Não é uma coreografia, é uma seqüência de perguntas e respostas o tempo todo. O importante é que os dois jogadores estejam atentos aos movimentos do seu parceiro e não o percam de vista. A velocidade e a intenção do jogo depende de como o mestre leva a atividade do grupo. Como atividade esportiva ganha quem derrubar primeiro ou deixar o parceiro sem saída. A malícia está presente nos dois estilos de capoeira (angola e regional) assim como a violência. Mas o mestre João Pequeno de Pastinha, da capoeira angola, costuma dizer que a capoeira é uma dança, que o importante é o capoeirista mostrar que pode bater e não bater, demonstrando seu domínio sobre os movimentos e conseqüentemente sobre o seu corpo.
Movimentos
O jogo é formado pela combinação de golpes que conversam entre si mantendo um diálogo entre os dois corpos. A ginga é a base do jogo e a partir dela é que saem os golpes que não são muitos, mas cheios de pequenas variações que o praticante da capoeira vai descobrindo ao longo dos anos. Ginga, rabo de arraia, aú, rolê, rasteira, cabeçada, queda de quatro, esquiva, meia-lua, bananeira, chapa, ponta de pé são movimentos básicos que contam com inúmeras variações, que permitem seu uso para momentos de defesa e ataque. Ainda existem os movimentos acrobáticos como bico de papagaio e mortal que são usados para enfeitar as apresentações, mas não representam um diálogo e sim uma demonstração de habilidade.
História
Um pouco de História
Até o final do século passado, a capoeira nunca foi bem vista pela sociedade. As pessoas que a praticavam eram consideradas de má índole. Os primeiros registros policiais contra os capoeiristas surgem em 1.789 com a prisão de um pardo capoeirista, registrado no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro. A força, a agilidade e a malicia dos negros praticantes assustava os senhores do engenho e das localidades urbanas da época, por isso os capoeiristas sempre eram perseguidos pela polícia e fortemente reprimidos.
Com a promulgação da Lei Áurea em 1.888, e a abolição da escravatura, os negros que não ficaram trabalhando para seus senhores formaram grupos conhecidos como maltas que se juntaram às pessoas que faziam negócios escusos e viviam pelas ruas. Apesar de serem tidos como marginais e desordeiros são os capoeiristas que ajudam a controlar a Revolta dos Mercenários, no Rio de Janeiro, em 1.828 e também tiveram papel heróico na Guerra do Paraguai quando estiveram na frente de batalha. Quem voltasse da guerra ganhava o direito à alforria, numa mostra de luta pela sobrevivência dos capoeiristas, que em alguns momentos lutavam ao lado do poder e em outros eram perseguidos pelo poder.
Apesar das manifestações em defesa do Brasil, em 1.890, o governo republicano do Marechal Deodoro da Fonseca edita um decreto (n.º 847) criminalizando a capoeira. Policiais tornam-se figuras destacadas na sociedade pela perseguição contra os capoeiristas. Conforme o decreto, os detidos seriam levados para a ilha de Fernando de Noronha. Mas nessa época já não eram só os negros que praticavam a capoeira. Alguns filhos de nobres senhores são detidos e assim surgem as primeiras manifestações contra a criminalização. Porém a perseguição policial intensa faz com que a capoeira quase desapareça do país, sendo mantida com mais força na região de Salvador, na Bahia. Em 1.937 o então presidente Getulio Vargas descriminalizou a capoeira e decretou que era um "esporte autenticamente brasileiro".
Mas ela continua sendo vista como coisa de marginais. Em Salvador o Mestre Pastinha abre sua primeira academia de capoeira angola em 1.941. Em 1.972 inicia-se um trabalho dos capoeiristas do Rio de Janeiro para enquadrar a capoeira como esporte nacional. A partir daí aumentam o numero de academias em todas regiões do Brasil praticando a capoeira regional, que instaurou a hierarquia dos cordões na formação dos alunos.
A partir dos anos 80, a capoeira angola é redescoberta através do escritor e somaterapeuta Roberto Freire e sua teoria libertária. A partir de então os angoleiros esquecidos como os mestres João Grande e João Pequeno, discípulos do mestre Pastinha, passaram a ter valor e além de firmar a atividade no território nacional ganharam também reconhecimento no exterior.
Mestre Sergipe, um dos mais antigos capoeiristas do Paraná, conta que quando chegou em Curitiba, em 1973, as pessoas não conheciam a capoeira nem o berimbau. "Uma vez chegaram a me perguntar se o berimbau era um caximbão", comenta o mestre que divulgou a capoeira na cidade através de apresentações com a escola de samba Mocidade Azul.
Recebido de:Sulla
Benefícios
Os benefícios da capoeira
Como atividade física a prática da capoeira envolve exercícios aeróbicos (que provocam o aumento de freqüência cardíaca e queima de gordura) e anaeróbicos (desenvolvimento muscular), proporcionando flexibilidade, força muscular e resistência física. O treino regular é fundamental para que o capoeirista consiga ter um bom desempenho durante o jogo. Entendida como um diálogo é necessário agilidade e velocidade nos movimentos como numa conversa, o que só se adquire com a prática e disciplina. Ter molejo no corpo e jogo de cintura são termos empregados para incentivar as habilidades do jogador. Para ter resistência/ fôlego, o ideal é que o capoeirista não tenha vícios de cigarro, bebidas ou drogas que comprometem a resistência. A prática pode ser feita por pessoas de qualquer idade e condição física. "Cada um vai trabalhar os movimentos dentro dos limites do seu corpo", explica o contra-mestre Nino Faísca.
A capoeira exige também concentração e observação. O olho no olho é uma das bases do jogo da capoeira. É importante estar sempre atento ao parceiro, procurando onde está o seu olhar, fazendo os movimentos sem perdê-lo de vista.
Mas é pelo caráter esportivo e pela filosofia que a capoeira ganha e mantém as pessoas na atividade ao longo dos anos. "É um ritual de ligação com o corpo, de auto-descobrimento, que te coloca cada vez mais presente nas situações. Se a pessoa se permitir, a capoeira dá o espaço para se trabalhar isso", comenta Alexandre Wasong, o contra-mestre Ninja.
Para o presidente da Federação Paranaense de Capoeira, Mestre Sergipe, a capoeira "é defesa, é ataque, é samba, é um compêndio de coisas. É como o suco belicoso da aranha, depois que você entra não consegue sair mais", resume.
"A capoeira dá os elementos para que a pessoa busque a sua liberdade, se conscientizando sobre si, sobre o ser social que é e sobre o seu corpo. Isso dá base para a liberdade de cada um.
Outro fato é que capoeira não se faz sozinho, por isso é imprescindível a participação dentro de um grupo. Seu ensino é baseado na oralidade, com os conhecimentos passados através da vivência e prática regular. Isso exige que o indivíduo se molde a um grupo e passe a conviver com as diferenças existentes neste núcleo de pessoas, num exercício de tolerância. A capacidade de improvisação, de conseguir se adaptar às diferenças e de dramatizar as situações são características que o praticante vai adquirindo com o treinamento, envolvendo malícia e brincadeira.
Para os negros escravos, além de fortalecer o corpo, dar dignidade e divertir, a capoeira tinha a função de elevar a moral, característica presente até os dias atuais.
Este conjunto de benefícios e características garante a presença da capoeira em todo o mundo com mestres brasileiros desenvolvendo trabalhos em 164 países ao redor do mundo. "A capoeira se manteve como atração para turistas, daí os capoeiristas passaram a viajar para fazer demonstrações e acabaram ficando em outros países dando aulas, desenvolvendo um trabalho", comenta mestre Sergipe. Já para Wasong, o aspecto libertário e de resistência se "encaixa no movimento alternativo de pessoas em busca de novas formas de vida e de se relacionar com o mundo", o que talvez também explique a expansão da capoeira.
Fonte:Sulla

Nenhum comentário:
Postar um comentário